A Equipe Tucunaré surgiu com o intuito de guiar novos jovens estudantes que acabam de entrar na universidade e se deparam com esse novo mundo.
O Coordenador da Equipe, professor Emannuel Loureiro, já tinha o desejo de montar esse projeto mas ainda não tinham ocorrido alunos com o mesmo interesse que ele. Até que nós chegamos e decidimos fazer, e nós dividimos em setores dentro do projeto, como: parte elétrica, com o Rafael Machado e Ruan, outro de parte mecânica, com William Ramos, e outro com a parte de projeto, idealização e cálculos, com Adailson, Renato Filho, Breno Maués, eu (Dennis Nascimento), Fahelliton Silva e o professor Emannuel na orientação.
Em seguida, nós tivemos que angariar fundos para o projeto. Então oferecemos cursos para fazer pequenos barcos, o Artesanato Naval de Miriti, ministrado pelo nosso Tenente Adailson, tendo como público alvo os calouros do curso e alguns outros veteranos. Visando sempre a importância dessa "brincadeira" para o entendimento da engenharia naval, uma vez que são abordados vários termos, nomenclaturas e princípios de forma lúdico. Outro viés, foi o curso de AutoCad, software básico de qualquer engenharia.
Eu era responsável pela idealização e construção do projeto, pela minha facilidade em construção naval, sendo filho de construtores ribeirinhos. Usamos o DelftShip para idealizar o projeto, pela facilidade que ele tem em cálculo hidrodinâmico, e na parte estrutural do casco, preferimos o uso do miriti, uma fibra tradicional amazônica, muito versátil e um dos intuitos é a ideia do produto natural que não agride a natureza, também oferece ductilidade para a fibra de vidro que fará o revestimento da embarcação. Além da vantagem de nós mesmos podermos colocar a mão na massa para fazer o barco e criar nosso modelo Amazônico.
No início, poucas pessoas eram participativas, então eu meio que funcionava como um free-lancer. As coisas foram acontecendo e chegamos ao DUNA 2017, onde ninguém se planejou e acabou indo apenas eu e Dennis.
O mais engraçado foi que, no hotel, quando chegamos um dos escs queimou e nós só tínhamos dois, sempre a Tucunaré com orçamento meio limitado (brinca), e tivemos que fazer a competição inteira com um esc só. Eram dois para proteger a linha dos motores, um para cada motor e um queimou, então competimos com um só e na base na gambiarra.
Só que nosso barco, quando chegamos para apresentar, uma galera de outra Equipe riu do nosso barco porque ele era meio feinho mesmo, o Tuc I era muito simples, de miriti, perto dos barcos de alumínio que eles podiam levar para competir.
Então, ficamos meio sem graça já na apresentação, mas, nas provas, acabamos indo muito bem. Chegamos no cabo de guerra, no último dia, em segundo lugar. Naquela época, a seleção era por chaveamento, o primeiro contra o último colocado, e a equipe que seria nossa oponente, a atual campeã da época, Minerva, ainda não havia conseguido fazer o barco funcionar, ou seja, estavam em último. Então simplesmente, no último dia, os caras funcionaram o barco e parecia uma moto-serra ligando de potência. Nisso perdemos o primeiro cabo de guerra para eles, e eles foram vice-campeões nessa prova, pra ter uma noção da força do barco deles.
Nós acabamos caindo pra quarto lugar geral nesse primeiro ano. Mas ficamos orgulhosos, pois chegamos sendo chacotas e saímos pegando quarto lugar dentre mais de 20 equipes, pra nós, foi surreal.
No que se tratava de Equipe, sempre fomos muito artesanais, colocando a mão na massa. O barco, a barcaça de testes. Treinamos com ela, colocávamos alguém da equipe dentro para fazer peso e treinava as manobras com ela. Éramos muito parceiros.
Quando voltamos de 2017, estávamos cheios de moral. Tanto em cenário nacional quanto regional, pois até então algumas Equipes do Amazonas não nos viam como oponentes dignos. Chegou só eu e Denis da equipe para competir, enquanto as outras tinham todos seus integrantes juntos. Éramos os com menor orçamento, gastamos cerca de 3 mil reais no barco e as outras gastavam de 10 a 12 mil. Então se impactaram com a gente.
Tivemos todo esse crédito, fizemos muito com pouco dinheiro. Então, em 2018, pensamos que deveríamos levar um barco diferenciado. Todos os barcos eram iguais, então a gente queria algo inovador. Então, o Adailson pensou em esquematizar um jet-ski no nosso casco, o nosso então Tuc II, uma loucura pra quem não entende. São vários formatos de curva para ter diferenças de pressões, com o intuito de dar o maior torque possível na embarcação no fluido de saída.
Mas então vieram os problemas. Metade da equipe não participou mais. O que deixou nosso Capitão muito irritado e decepcionado, tanto que ele acabou se afastando da Equipe, ficou apenas como piloto da competição. Então, ficamos só eu e Adailson para gerir a Equipe. Peguei as responsabilidades dele e o projeto foi fluindo. Não treinamos com o barco, pois ele foi finalizado um dia antes de viajar, no mesmo dia que um esc queimou de novo, o único que tínhamos. Usamos o de 2017, já desgastado e tivemos que competir com ele mesmo. Em Belém, ele estava puxando 10kg na balança, 250% a mais que o Tuc I.
Mas eu já havia pedido um esc extra, que chegou no dia da primeira prova. O barco funcionou 1 hora antes do início das provas. Não conseguimos, mesmo assim, terminar a primeira prova, porque usamos o esc de 2017, já meio bugado. No final do dia, conseguimos usar o esc novo e fizemos o Bollard Pull e ganhamos essa prova. Só que tivemos outro problema. Estávamos sem o cara da elétrica. No segundo dia, o barco não tava mais funcionando. Não sabíamos mexer nessa parte e um dos hélices parou de funcionar e fizemos a prova só com um hélice. Fizemos o quarto melhor tempo mesmo assim, 15 segundos atrás do primeiro.
Conseguimos consertar tudo antes da tarde, e na próxima prova de Tomada de Tempo. Até hoje, mantemos o recorde de menor tempo da competição. Fizemos com o Circuito em 1min e 20s. Então veio a prova de Corrida e abrimos uma boia e meia de vantagem. Na prova de cabo de guerra, tínhamos só uma bateria restando, a outra levou o pipoco logo no primeiro dia, talvez pelo esc danificado. Tivemos que economizar bateria pra poder fazer todas as provas. Não usamos potência máxima com pelo menos duas equipes oponentes, e mesmo assim fizemos um grande final. Já estava num momento em que, quem descarregasse bateria por último ganhava. Infelizmente a nossa descarregou primeiro. Apesar de tudo, foi um barco extremamente inesquecível pra todos que viveram o DUNA naquela época, inspirou diversas equipes a fazerem cascos semelhantes ao nosso. Foi um marco na história da Tucunaré.
Entrei na Tucunaré em 2020 e logo comecei a ajudar o atual Capitão, Matheus Fazzi, no administrativo e no financeiro. Toda minha caminhada na Equipe foi de gestão e comercial. Depois de um tempo, também fui escolhido como piloto. Por conta disso, tenho um carinho muito particular com os barcos e com a Equipe. Em 2021, num ano cheio de dificuldades, em meio a uma Pandemia e com uma Equipe completamente nova, inexperiente, conseguimos nono lugar geral.
Em 2022, o Matheus não queria mais ficar como Capitão e nisso me sugeriu a oportunidade de ser o Capitão, e eu assumi esse cargo. Então, eu já estava atuando como Capitão, Piloto e administrador. Conseguimos bons patrocínios nesse ano e foi um ano de grande da evolução da Equipe como um todo.
Todo o aprendizado, todo o carinho, toda a experiência de ser um Tucunaré agregou a todos nós muita coisa. Sou apaixonado pela Equipe até hoje, ficou com certeza marcada em meu coração.
Desde meu primeiro dia na Tucunaré, quando recebi o convite ainda uma caloura do segundo semestre, me senti muito bem no projeto. Estar presente em algo que te aproxima da tua profissão futura, é engrandecedor.
Eu agia como uma freelance, tudo o que podia fazer, estava fazendo, mas somente online porque, naquele contexto pandêmico, não havia feito minha mudança para Belém ainda. Conheci meus colegas de Equipe e o barco já em Joinville. Competimos, vibramos, fizemos amigos e eu defini metas para minha experiência na equipe lá mesmo.
No ano seguinte, 2022, eu já estava inserida nos setores de manufatura e administrativo. Sempre estive disponível para tudo. Queria mesmo fazer acontecer. Talvez isso tenha feito meu carinho por tudo isso ter crescido mais e mais. É o efeito que a Tucunaré causa na gente. Você fica completamente apaixonado por ela. Não é apenas um projeto, é o nosso projeto. O nosso barco. É a minha Equipe e eu quero que ela seja grande. É assim comigo e foi assim com todos os capitães antes de mim. Tanto que até hoje eles estão do nosso lado, aconselhando, ajudando, torcendo por nós. É o que buscamos passar a todos os entusiastas que desejam fazer esse projeto conosco.